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Amena em Viagem

O Amena não tem o melhor nome para blogue de viagem e lady-gazeta não é o nome de autor mais credível para uma blogosfera de gente séria, mas estamos bem com isso. Somos sempre mais do que bons viajantes e bons nomes.

31 de Julho, 2018

Roteiro Pico - São Jorge - Faial

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Pois que é verdade: os ares algarvios tornam-me benevolente e, por isso, partilho com vocês os mapas que usámos para conhecer as ilhas triângulo dos Açores.

Este mapa apresenta o best of das 3 ilhas e são representados os pontos de interesse da região que pretendem eventualmente conhecer: restauração recomendada, caminhadas e "zonas culturais". 

Responde portanto às típicas perguntas:

  • O que fazer no Pico?
  • O que fazer em São Jorge?
  • O que fazer no Faial? 

 

Isto tudo?, perguntam vocês. Exactamente, isto tudo. Para delinear os percursos torna-se mais fácil e, admito, tem sido assim a forma de gestão e planeamento das últimas viagens que temos feito.

 

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Relembrando, o tempo por ilha apresenta-se de seguida:

  • Faial: 6 horas (e, por isso, ficámos-nos pela zona oeste da ilha);
  • São Jorge: 2 dias;
  • Pico: 3 dias (um deles para subir e descer a montanha);

Portanto, este mapa representa apenas o que era possível conhecer de acordo com o tempo que tínhamos disponível. Espero que os Açoreanos (uns queridos!) não fiquem tristes com o Amena, já que pode parecer redutor o que se apresenta aqui. Peço-vos apenas alguma compreensão, uma vez que quando fizemos a mala, esquece-mo-nos de incluir algumas horas extra na bagagem! 

 

Desta feita, deixo-vos o essencial:

 

 

Ah, já me esquecia! Bom proveito! 

24 de Julho, 2018

Pico, Açores

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O barco dava o sinal de partida e o tempo chorava, tal como chorou o tempo todo durante a nossa estadia na ilha de São Jorge. Cá entre nós, eu acho que a ilha chorou pelo pouco tempo que por lá passámos. 

 
Viagem atribulada, mar agitado, enjoos e vento, foi assim caracterizado o nosso percurso de barco em direcção a Madalena, no Pico. 
Comigo levava uma gripe e a esperança de que passasse rápido, já que havia uma montanha por subir, dentro de 2 dias! 

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Assim que chegámos a Madalena, tratámos o que já era habitual: o alojamento, desta vez em airbnb, no Atelier Xavier Ávila. Um apartamento central, limpo e moderno, bem no centro da vila. Depois disto, a rent-a-car, os mapas em papel, as recomendações em maps, no telemóvel. Meia dúzia de estradas principais e lá nos metemos a caminho, já que ainda tínhamos um dia por aproveitar. Começámos por procurar as lagoas, bem no centro da ilha. O nevoeiro fez das suas e, por isso, apenas conseguimos encontrar duas numa estrada repleta delas. Mas, o pouco que vimos, apaixonou-me. Somos fãs de natureza e, por essa razão, demos-lhes a prioridade de primeiro dia. E nisto, enquanto atravessávamos a ilha não havia vestígios do topo da montanha. 

 

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Nesse dia não descobrimos o melhor da gastronomia, já que havia uma gripe para curar. E, não sei se foi das preces, dos comprimidos ou da pressão de ter que subir o pico do Pico, mas é certo que, no dia seguinte, já estava curada. No entanto, não arrastando o tema para o fim do post, é essencial apreciarem a vista e o petisco do Cella Bar (com uma arquitectura supimpa), o Caffe 5 (bem no centro de Madalena) e o Atmosfera (um italiano com uma vista ainda mais maravilhosa sobre São Jorge, por um lado, e a montanha por outro).
 

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Fizemos a volta à ilha, de carro, e encontrámos as paisagens mais rudes das 3 ilhas. Tudo é escuro, tudo são vestígios de lava. As vinhas, património mundial, são o símbolo do Pico. As vinhas crescem entre muros, feitos de rocha e de suor de quem os construía à mão. É de lá que vem o melhor vinho dos Açores e, a título de curiosidade, os muros, servem para evitar a destruição das videiras aquando dos ventos fortes ou tempestades mais fortes. 
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As praias rochosas e igualmente escuras contrastam com as cores das águas, azuis e cristalinas. Visitámos o Cachorro, percorremos lado-a-lado a única pista do aeroporto, fomos ao museu do vinho e da vinha (que vale realmente a pena visitar pois tem detalhes encantadores), encontrámos as casas típicas meticulosamente pintadas de cores fortes que contrastavam com todo o negro à sua volta. Já não era exclusividade desta ilha, mas aqui, estas casas, ganham mais encanto. 
 
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Jardins cuidados, recantos verdes que faziam questionar como é que estas flores nasceram aqui?, miradouros suspensos, pescadores de São Roque, e até grutas, repletas de estalagmites e estalactites, resumem o principal que ocorre à volta do sopé da montanha. 
 

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Inegavelmente, é a montanha mais alta do país que dá o protagonismo a esta ilha. É a montanha que faz prever o tempo para o dia seguinte, que traz o turismo (sobretudo internacional) e que enriquece de nutrientes o solo para o cultivo. A montanha dá vida à ilha e a ilha precisa desta subsistência. Este facto não se discute. Durante as paragens em cafés e restaurantes e até mesmo os locais que passeavam, eram poucos os que arriscavam subir-lhe. Muitos deles questionariam qual o interesse dos turistas o fazerem. Uns loucos. Sem dúvida, uns loucos. Nota-se um profundo respeito pela mãe-natureza, nesta ilha, e por tudo aquilo que ela lhes dá e, a prova disso, é a manutenção das piscinas naturais, das vinhas e, claro dos jardins. Esta manutenção salta-nos à vista e convence-nos a voltar a locais que são assim, zelosos e protectores. 

É uma ilha bonita, charmosa e que devia fazer parte do CV de quem viaja. Não para um típico checked, mas sim para aproveitar o que ela nos dá. No Pico, São Jorge ou Faial, o turismo português é pouquíssimo. Enquanto lá estivemos, no início da época alta, senti-mo-lo bem. Há que aproveitar enquanto as nossas pérolas do atlântico não são descobertas por outrem. Vão. E não se vão, de todo, arrepender. 
18 de Julho, 2018

Saal Digital: Análise

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 O Amena (já há algum tempo) apercebeu-se da existência da Saal, empresa de produtos fotográficos, através de anúncios no Instagram. Como somos um nadiiiinhhaa cépticos, resolvemos analisar alguns exemplos bem sucedidos e, só depois, decidimos experimentar.

 

Sempre se ouviu falar do tema de álbuns digitais, é certo, mas a verdade é que nunca me meti em trabalhos do género. Geralmente deixo tudo no digital e é consultado de 20 em 20 anos. Desta vez, aproveitando a viagem aos Açores e as cores maravilhosas que as ilhas nos deixam nas fotografias, percebemos que estas mereciam outro destaque e, por isso, considerámos ser o momento ideal para nos dedicarmos ao álbum.

 

Posto isto, esta análise não é uma análise comparativa, mas sim uma opinião honesta de quem experimentou o software e, claro, a empresa.

Não precisam de chegar ao fim da análise para perceberem que ficámos muito satisfeitos. Adorámos, na verdade! Assim de 0 a 5, vale 10.  A qualidade ficou espectacular e, para vos mostrar o resultado final, apresentamos o best of do álbum aproveitando um bocadinho da Lisboa que temos.

 

Ora vejam:

 

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Acreditamos que há duas vertentes de avaliação: a utilização do software e a qualidade do serviço prestado e, portanto, para a vertente de software, segue a análise: 

 

O software não oferece grandes dificuldades e por isso esqueçam isso de pensar que encomendar um álbum pode ser rocket science. Contudo, sugerimos algumas melhorias (quem sabe algumas que a aplicação já faça e, por isso, perdoem a Lady, que já não vai para nova):

  • Era relevante seleccionar o mesmo padrão de fundo para todas as folhas, de uma só vez. Percebo perfeitamente que é útil, para algumas pessoas, personalizar tudinho. Mas há quem não queira perder tanto tempo com isso.
  • Seleccionar as fotografias com uma perspectiva maior ajudava muito esta pessoa que já não vê assim tão bem. Temos muitas fotografias parecidas (shame) e isso dificultou a selecção da tal foto.
  • Seria também muito útil não ter que instalar a aplicação em Desktop. Por que não uma versão no browser, com um identificador de conta associado? Pensem nisso. 

 Relativamente à qualidade de serviço, estamos muitíssimo satisfeitos. A encomenda demorou exactamente o tempo previsto e, por isso, não houve sequer sobressaltos. Melhor que isso, o álbum chegou quase blindado, sem um risco, uma amolgadela. Nada, nadinha. Parabéns!

 

Se pretenderem saber mais informações sobre o papel que escolhemos, o número de páginas, o tipo de capa, etc, estamos à disposição. Mas só se pagarem bem.

 

Estou a brincar. 

Façam-no à vontade.

 

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 Parabéns Saal Digital!

15 de Julho, 2018

São Jorge, Açores

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São Jorge, Velas

 

Faial, detentora de uma beleza indiscutível, foi também vítima da maior das correrias. A sensação de estarmos sempre atrasados só abrandou quando voltámos a entrar no barco, no porto da Horta. Desta vez o checkin para o percurso Horta-Velas tinha sido, apenas, com 20 minutos de antecedência e, assim que percebi que o barco que nos levava até São Jorge era ligeiramente maior e, por isso, mais estável, até suspirei de alívio. Podia, finalmente, descansar, pensei. O dia já ia longo, afinal de contas tínhamos acordado antes das 5 da manhã e, por isso, aproveitaríamos aquele final de dia, durante as próximas 3 horas para dormitar. 

 

Errado.

Tudo errado. 

O pôr-do-sol proporcionava as melhores imagens das 3 ilhas. O céu estava limpo e o mar estava calmo. Era impossível dormir assim. De baleias, nem vestígios. Mas havia mais para procurar. A paisagem é digna de cena de filme e a viagem foi uma oportunidade única para tirar as melhores fotografias a bordo. Revejo as fotografias e tenho vontade de voltar a este momento. Fiz histórias de Instagram, fiz videochamadas para a família. Partilhei, partilhei e partilhei.

 

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 Agora que penso, continuo a ser a mesma miúda de há 10 anos atrás que, sempre que viaja, detém a mesma euforia com coisas que para muitos, são mínimas. Seja aqui, em Portugal, na aldeia mais escondida, como no destino mais vum-vum-vau. 

 

Algumas horas depois São Jorge torna-se mais nítido. E, mesmo a anoitecer, já era possível ver as escarpas e o verde que caracterizam a ilha.

 

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Já passava das 21 horas quando o barco atracou em São Jorge. Um porto bonito, diga-se. Pequeno e acolhedor.

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Não é preciso perceber muito da geografia da ilha para se deduzir que mal atracássemos já estaríamos em Velas, o centro do movimento. 

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Bem-dito, bem-feito. Sem grandes planos, jantámos perto do desembarque, no Velense. Fomos brindados com um delicioso queijo e uma longa conversa com a senhora que nos servia o jantar. Esperávamos mais da refeição, sem dúvida. Mas foi a conversa que convenceu. Brindou-nos com a introdução da ilha, como se lêssemos um livro denominado por São Jorge. Introdução essa que nos fez esquecer completamente que não existem táxis durante a madrugada que nos levassem ao Hotel da primeira noite. Percalços, não é verdade? 

Mas há sempre um amigo, que tem outro amigo que tem um táxi. E cai-me a ficha. Estamos realmente numa ilha pequena. Todos se conhecem. Maravilhoso. Eu gosto destas afinidades. A ilha de São Jorge é pequena, mas oferece diversidade, garanto-vos.

 

Começo por vos falar de alojamentos. Posso?

O primeiro alojamento não foi bem um Hotel. São um conjunto de bungalows muito bonitos. Chama-se Intact Farm Resort e assim que chegámos, numa noite de lua cheia, fomos brindados com uma noite maravilhosa. Raramente escrevo aqui sobre um alojamento. Só quando são realmente bons e que recomendaria a um amigo ou a um familiar muito próximo é que também o faço aqui. Este alojamento é assim um encanto.

 

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 Em boa verdade, em termos de alojamentos, esta ilha surpreende. Se por um lado optámos por ficar num alojamento fancy. A segunda noite optámos por ficar numa casa partilhada, em Guesthouse. Nada a ver, lady-G, dizem vocês. Concordo, nada a ver. Duas experiências diferentes, mas ambas espectaculares. Ficar na casa da D. Bernardete foi receber o pequeno almoço dos Deuses, com produtos exclusivamente regionais e também as melhores dicas da ilha. Foi a primeira vez em Guesthouse e sabem que mais? Adorei e adorámos a experiência. Portanto, se vão com um espírito aberto, poupado, e sem grandes questões no que toca a partilhar espaços comuns, devem visitar a D. Bernardete, na Urzelina Guesthouse.

 

O tempo, no primeiro dia, e a minha gripe foram os adversários da boa disposição, mas a ilha, ainda assim, fez xeque-mate da secção Must See do nosso país. Não há escarpas, nem fajãs como lá. Nem queijo. Nem atum de Santa Catarina.

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Por falar em comida, pára tudo. Parou?

Parou mesmo?

É impensável descrever a estadia em São Jorge sem referenciar um restaurante ímpar da ilha: Fornos de Lava, em Velas.

A simpatia, a comida deliciosa e a vista, tudo com avaliação máxima num só restaurante. 

 

Se para além de bons garfos, também são amantes de trilhos e/ou caminhadas? São Jorge é uma ilha rica em trilhos, alguns deles incluem cascatas mas, infelizmente, não fizemos nenhum deles, porque o tempo não colaborou. Se, por outro lado, são do turismo do mapa de papel nas mãos, aventurem-se pelos caminhos que vos levam para a cordilheira central. Não há rede. É, por isso, ainda mais fácil aproveitar.

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Desta ilha esperem encontrar uma larga exploração agro-pecuária e, desta forma, o único engarrafamento que irão encontrar são vacas em pasto... nas estradas! Recomendo-vos cautela, já que em dias de nevoeiro cerrado há manadas mais afoitas que outras.

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Se pretendem levar recuerdos, queijo e atum de São Jorge são o best-seller e podem encontra-los, devidamente embalados, na Cooperativa da Beira (está a ver Dona Bernardete? Dicas de amiga. ).

 

 

Companheiros de viagem, segue um rasgado elogio a esta ilha no que toca à simpatia dos seus habitantes. Mesmo que esta ilha fosse completamente desinteressante, a hospitalidade que ostenta faz-nos ficar e, para quem parte, dá vontade de regressar. Quanto a nós, já sabem que nos comprometemos a voltar. É impensável não conhecer aquela cascata, que beija os pés à Fajã de Santo Cristo.

 

 

Será, sem dúvida, um até já!

 

 

14 de Julho, 2018

Cerdeira, aldeia de xisto, e um pouco mais

lady-gazeta

Há cerca de duas semanas, dia 4 e 5 de Julho, fui convidada, em âmbito profissional, para acompanhar um evento sobre Inovação Social.

 
Uma excelente oportunidade para aliar o passeio com inovação. O programa do evento não podia ser mais nobre: acompanhar um concurso sobre ideias que pudessem prevenir e apoiar as zonas afectadas pelos incêndios que ocorreram durante o ano passado. Bom, na realidade, o programa era ligeiramente mais genérico, mas foi esta parte que mais me interessou e aquela que gostava de realçar aqui.
 
Tenho viajado pelo país, de norte a sul, passando, claro, pelo centro - a zona mais afectada pelos incêndios. Há vezes em que escrevo onde vou, outras vezes simplesmente não o faço ou vou adiando... E depois outras viagens que me perturbam e calo-me. Há alguns meses atravessei o pinhal de Leiria. Senhores. É impressionante. É lamentável. Fiquei sem palavras e angustiada. Um mar negro.
 
Um dos temas que ainda não toquei foi no tema incêndios. Não é um tema irrelevante, é um tema sério que merece todo o destaque não só agora, que é verão, mas sim durante todo o ano. O sol este ano tem colaborado e as chamas têm dado tréguas a tantas outras zonas verdes. Mas, se tivéssemos um verão tão quente como no ano passado, não duvido que o descalabro fosse muito semelhante. Não é ser céptica, é a verdade. 
 
Acompanhei o concurso, durante o evento, curiosa de ideias, e saí de lá pouco surpreendida. São sobretudo pessoas filhas das zonas afectadas que lançaram as ideias, entre uma lágrima e outra. Finalizado o concurso, fiquei e ficámos com a sensação de que é preciso fazer muito mais do que se faz agora. Sei que é um blogue de viagens, com um lado social muito omisso, mas não deixa de ser um blogue que apresenta o que é mais bonito por aqui, em Portugal, como lá fora. E um país que arde sempre que o calor aperta  está longe de ser bonito e muito menos uma situação normal e que aterroriza todos os que vivem de perto estas situações.
 
Posto isto, caros leitores de Amena Cavaqueira, é um post sério e que visa sim divulgar uma associação que certamente vos ouvirá e ajudará caso tenham ideias e boa-vontade sobre este tema dos incêndios ou outros que promovam (re)integração social: https://inovacaosocial.portugal2020.pt/.
 
Não é publicidade, mas por vezes é necessário promover alguns nomes para que as coisas aconteçam.
 
 
Também neste post aproveito para partilhar convosco que este evento decorreu numa aldeia linda. Linda. Linda. Quem acompanha o Instagram sabe onde foi, em Cerdeira, e viu quão bonita é. Cerdeira faz parte do grupo de Aldeias de Xisto, bem no centro do País, perto de Coimbra. Lembram-se de vos falar sobre Piodão? Bom, esta aldeia é ligeiramente mais pequena e localiza-se numa colina da Serra da Lousã, com vista sobre um enorme vale. Recomendo muitíssimo. Devem não só visitar, mas ficar lá a dormir, pelo menos uma noite. Fui informar-me e têm possibilidade de ficar numa das casas de xisto totalmente recuperadas (https://www.cerdeiravillage.com/pt/).
 
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A mim pareceu-me uma excelente ideia para escapadinha de verão para que possam aproveitar o descanso, a vista deslumbrante, as pequenas cascatas e, claro, os trilhos. Voltarei certamente para poder dar a conhecer a aldeia aos meus mais próximos. 

 

 

12 de Julho, 2018

Subida ao Pico

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Bom, primeiro que tudo, calma! Lady-Gazeta não desistiu do blogue! Mais! Este tempo de espera não foi à toa.

Foi para trazer mais suspense ao meu regresso. Vá, admito, é mentira. Este tempo de espera foi uma recuperação! Exactamente, leram bem, um mês depois de subir ao pico do Pico já me sinto totalmente recuperada fisicamente e psicologicamente para vos contar como foi a aventura. 

Espero, no entanto, que não tenham desistido de acompanhar o périplo, meu fiéis comparsas de leituras. 

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Portanto, vamos a isto? 

 

A iniciativa Rumo ao Pico 2018 começou exatamente na mesma altura em que comecei a investir mais tempo aqui, no Amena (portanto em Janeiro deste ano). E a intenção era, mais do que subir ao Pico, conhecer as ilhas afamadas como triângulo dos Açores. E por quê? Porque as fotos eram maravilhosas, os relatos de quem as tinha conhecido também. E, em boa verdade, estava com muita vontade de voltar aos Açores, mas dando oportunidade a outra ilha que não fosse São Miguel (atenção, São Miguel é lindo. Não deturpem!). Pensámos no grupo central com carinho, lemos uns relatos aqui e ali, caçámos um bom preço e comprámos os bilhetes de avião. Só posteriormente, admitimos, é que considerámos a subida ao pico do Pico. Na verdade, eu era quem tinha mais receios da aventura. A confirmação da subida durante esta viagem surgiu apenas na BTL, quando abordámos uma empresa que fazia a subida sobre as condições, se fornecia o material necessário e, sem medos, confirmámos o nosso LET'S DO IT!

 

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E a partir daqui, foi a preparação. Não da viagem por si, que tipicamente é uma gestão de logística, mas demos início a treinos físicos. Sou (ou era) uma pessoa sedentária. O desporto em que sou realmente boa, bato recordes tranquilamente, é aquele que envolve um garfo e uma faca. 

Percebi claramente que os hábitos teriam que mudar ligeiramente e, por isso, há alguns meses atrás começámos a percorrer trilhos na zona de Lisboa. Foi, na verdade, um excelente pretexto para reconhecer a serra de Sintra, por exemplo.

Mas convenhamos, subir a Serra de Sintra, ainda que tenha zonas com alguma dificuldade, em nada se comparava à subida da montanha mais alta do país. E sabíamos disso. Mais do que isso, enquanto que os quilómetros de trilhos deixavam-me satisfeita e cada vez mais motivada, os relatos aqui na blogosfera de quem já tinha subido ao pico do Pico não eram animadores: é difícil, não consegui subir, desisti assim que vi, etc. faziam-me fraquejar. E, piorando o cenário, o facto de ter um problema genético nos joelhos (nas rótulas) que me trazem dores sempre que faço desporto de impacto, deixava-me ligeiramente ansiosa. 

 

Posto isto, por recomendação, inscrevi-me também no ginásio e fiz treinos específicos para a subida em questão com o intuito de fortalecer os músculos dos joelhos e pernas (cerca de 2 meses antes de subir ao Pico). Durante estes treinos tive algumas dores é certo, mas nada de impeditivo. 

 

Tudo tranquilo até aqui. O problema foi depois de aterrar e encarar a montanha. A situação mudou de figura. Os testemunhos aqui da blogosfera de quem já tinha subido e o tamanho da montanha alarmou o mais destemido de nós os dois. E eu, bom, eu fiquei doente. Literalmente. Provavelmente, os nervos reflectiram-se através de uma gripe que quase me fez fraquejar até à véspera da subida.

E o tempo também não estava espectacular. Já vos disse que o tempo, para mim, influencia muito sobre a opinião do destino. Um desafio daqueles com chuva deixou-me muito desanimada, lembrando-me de relatos onde o tempo se revelou o pior adversário do cansaço durante a subida.

Bom, o chamado sofrer por antecipação. 

 

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Na véspera da subida e depois da confirmação oficial da Tripix, empresa em quem depositámos toda a nossa confiança, melhorei subitamente. A intenção era pernoitar na cratera do vulcão, mas como vos disse, as condições climatéricas adversas não o permitiram e, por isso, seriam ~ 7 horas (subida + descida).

 

O ponto de partida é a Casa da Montanha (já ligeiramente acima do sopé da montanha) e o percurso a pé seria de aproximadamente 7km. Não subestimem. É com uma inclinação muito acentuada. Assim que chegámos à casa de partida, convivemos com a nossa futura equipa. Éramos apenas 2 portugueses num grupo de 10 estrangeiros. Nem parecia que estávamos em Portugal, na verdade. Mas independentemente da língua falada, o sentimento era igual para todos: ansiosos e motivados. E lá arrancámos, em fila ordeira, já o relógio apontava as 10 horas da manhã. 

Saímos com bastões (abençoados!) e GPS, água, barras energéticas, sandes, medicação e muita vontade.

 

Como não passo de 1.60m, recomendaram-me passar para o grupo da frente, perto da instrutora Raisa, para que os passos não fossem tão longos e para que conseguisse fazer uma boa gestão de esforço até ao fim.

Não tive grandes dificuldades durante a subida, honestamente. Na verdade, o plano que fiz de ginásio e os trilhos serviram perfeitamente para me sentir a maior alpinista da minha rua. :) E adorei a experiência, claro.

 

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E adorei a sensação de conquista assim que chegamos ao topo do "mundo". Os bastões ajudaram muito até chegar à cratera do vulcão. Depois disso, a última fase do percurso de subida é feita em escalada (foi ainda mais emocionante).

 

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Depois a descida.

A descida.

A... desci..da.

 

A descida foi outra conversa. Custou. Mas custou mesmo muito.

 

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A meio do percurso da descida já estava com dores insuportáveis nos joelhos. Sentia algum cansaço, claro, mas as dores eram superiores a tudo. E a partir da estaca 18 (eram perto de 45) o caminho tornou-se inexplicavelmente longo. As descidas sucessivamente íngremes e alguma chuva – na verdade parece que surgiram as 4 estações durante o percurso – tornaram o piso mais escorregadio e fez com que caísse por duas vezes (mas calma, quedas pouco aparatosas, apenas escorregar lentamente e cair com classe ).

 

Não sei se vos vou conseguir explicar, mas chegar à Casa da Montanha, o ponto de partida, foi como ver água no deserto. Aliás, chegar foi muito mais do que isso. As lágrimas de contentamento e de dor, simultaneamente, caracterizaram a entrada magistral na casa da montanha.  Podia mentir-vos, é certo, mas foi precisamente isto que aconteceu. 

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Fanáticos de cronometragem, não fiquei particularmente orgulhosa. Para quem se julgou alpinista de sangue durante a subida, foram cerca de 3,5 horas a subir e 4,5 horas a descer, com direito a 1 hora de almoço, no Piquinho, com vista para as ilhas vizinhas, para o oceano e para as fumarolas do vulcão semiadormecido.

 

No fim, estava tudo bem. Consegui e conseguimos. A Tripix foi, em todos os momentos, espectacular comigo. Incentivou-me naqueles momentos em que temi ficar a viver por lá, entre a lava solidificada e os poucos rastos de verdura. E não sorriam! Naquele momento eu conviva bem com o facto de me tornar a mulher da montanha, já que o resgate é para lá de muito caro. 

 

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Contudo, o A., que me acompanha neste projecto (e todos os outros) e incentiva-me nestas loucuras, não sofreu tanto com o desgaste físico, mas tem também uma melhor preparação física do que a minha. Portanto, ao contrário do que li por aqui, cada caso é um caso. E é claro que vocês, se o pretendem fazer também, vão consegui-lo certamente! É claro que há pessoas que desistem, mas essas pessoas não são vocês. 

 

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Geralmente perguntam-me se voltava a repetir a experiência. Até ontem, eu hesitava, mas hoje chegou o momento de dizer que sim. Voltava e pernoitava! Ver o amanhecer no topo do país deve ser uma experiência maravilhosa! 

Esta foi certamente a primeira de muitas experiências a sério deste tipo. Superação, persistência e conquista são as 3 palavras que caracterizam este desafio pessoal e, para mim, foi muito gratificante ultrapassar este objectivo, mesmo com todas as restrições físicas que levava na bagagem. 

 

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