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Amena Cavaqueira

O Amena não tem o melhor nome para blogue de viagem e lady-gazeta não é o nome de autor mais credível para uma blogosfera de gente séria, mas estamos bem com isso. Somos sempre mais do que bons viajantes e bons nomes.

Amena Cavaqueira

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13
Jun17

Marrocos à la minute... ou nem por isso :)

lady-gazeta

Lá de cima tudo amarelo, cor de deserto -  claramente a imagem de deserto que sempre imaginei. De resto, o vazio. Mas o que é que afinal me traz cá?, perguntei-me a mim, sem que a O. pudesse ouvir.

 

Comigo levava uma bagagem de porão capaz de albergar todos os negócios bem chorudos que a própria terra promete e espaço para trazer, no mínimo, 3 camelos e 20 babuchas. 

A pouco mais de 1h de uma Europa moderníssima estávamos a aterrar no aeroporto de Ménara, em Marraquexe. Um aeroporto moderno e arrojado com uma arquitectura que dança na cara dos países mais ocidentais, contrastavam com tudo o que tinha lido por aqui, em blogues, sobre Marrocos. Os pormenores, a limpeza e facilidade de câmbio tranquilizam quem lá chega. E assim, 2200 MADs depois e um táxi (do Riad) à nossa espera, as duas miúdas sozinhas em Marrocos faziam de Marrocos uma aventura ainda maior. E iniciou-se o périplo.

 

O frio na barriga e muita expectativa, nos 6km que separam o aeroporto da Medina, colaram-me ao vidro do táxi. Quanto mais nos aproximávamos da Medina, mais o transito se tornava caótico. As motos, as bicicletas, as chaletes, os carros e as pessoas saiam de todo o lado. Se, outrora, num desabado, as bicicletas em Amesterdão deixaram-me o coração colado às costas, em Marraquexe o coração deu o baza, amigos.

 E sabem que mais? Não há vestígios de acidentes. Tirar a carta lá é, certamente, mais do que (não) cumprir regras, um jogo de perícia.

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Numa praça central, estacionámos ao lado do burro que comia papel. Nem questionei: tudo era tão diferente, que um burro a comer papel pareceu-me uma situação absolutamente natural.

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E naquele compasso de chegada, pediram para esperarmos. E esperámos. Eu, a O. e as malas. À nossa volta muros vermelhos – tal como o resto da cidade. OMG, onde é que eu vim parar? A Marraquexe, amiga. E a um mundo completamente diferente. Vestígios de Riad? Nem vê-lo. A O. olhava para mim e eu para ela – em condições normais teria dito ao taxista: olhe, está visto, leve-nos de volta para o aeroporto, que por cá, está visto! Mas a O., veterana na cidade, tranquilizou-me com ar de quem vê a normalidade nas coisas. (E, no fundo, de quem sabe que debaixo dos muros vermelhos que cobrem toda a cidade, estão casas maravilhosas.) Enquanto esperávamos éramos tão observadas quanto observávamos. Lá, apesar do islamismo, aceitam a diferença – mas os olhos deles, homens, vidravam-se em nós. Não, não fazemos parar o trânsito, mas somos mulheres “normais” num país onde reina o islamismo. Elas, discretas, de burka e com um andar quase impessoal, certamente também questionam o porquê das roupas e da liberdade de que quem viaja sente e transmite. Outra religião, outra cultura. A diferença entre nós, para que não hajam dúvidas, é flagrante.

 

Fomos sem planos. (Quanto mais viajo, menos necessidade tenho de planos feitos). Em boa verdade, levo uma lista à la city pack que não me deixa perder o fundamental de cada sítio. E chega. Perfeitamente.

Mais do que planos, tínhamos 5 dias para fazer o que bem entendêssemos. Fomos aos Souks, aos palácios e aos Jardins. Na realidade, para quem gosta de andar, 3 dias chegam para sentir Marraquexe. Acabámos inclusivamente por fugir da Medina e atravessemos o Grande Atlas para conhecer Ourzazate e meio deserto para conhecer Essaouira. Decisões essas que foram a cereja no topo do bolo.

 

No meio da Medina perdemo-nos nos Souks. E encontrámo-nos. Ruas sem nomes, becos sem nomes. Uma desorganização tão caótica como o trânsito. Mas tão encantadora ao mesmo tempo. Tirámos aquelas fotos que nos fazem sentir um verdadeiro fotógrafo National Geographic. Fomos aos jardins Majorelle  - os amarelos, azuis e tons terra deram as melhores dicas para quem adora decorar. E os palácios.... Ahhh (suspiro)... e aos palácios, que nos fizeram sentir a entrar nos naperons costurados pelas nossas avós. Arte, amigos! Não me chamem fútil – ou chamem, who cares – mas é claro que a beleza exterior nos apaixona. 

 

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E a praça El Fna. [E faz-se um longo silêncio...]. A maior apoteose comercial que já vi! E depois, quando anoitece, o chamamento faz do maior reboliço, o maior palco de vendas mudo que conheço. O verdadeiro significado de silêncio e respeito que já assisti. 

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Ao 3º dia, fomos, como já vos disse, a Essaouira. Muito semelhante ao sul do nosso país: praia, casas brancas, terra portuária e, tenho cá para mim, que é o sítio onde os locais passam as suas férias.

O comércio é a forma de subsistência e acima de tudo um state of mind.

 

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E, depois, no outro dia, Ourzazate.

O Grande Atlas, as pequenas aldeias inacessíveis por onde passávamos, o deserto, a beleza de todas as mesquitas que contrastam com as restantes aldeias é o que fica para sempre na minha retina. Na realidade, guardarei também as fotos, que essas, embora tentem, não representam nem metade da beleza natural e cultural que trouxe desta viagem.

 

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Marrocos é certamente um destino para repetir. No mínimo, para perceber que os camelos realmente existem, mas estão no deserto. Entre nós, gentes, há uma diferença avassaladora de culturas e é isso que torna Marrocos um local tão deslumbrante aqui tão perto.

 

Deixo, como é habitual, umas dicas à la minute – embora seja um post longe de ser à la minute:

  • Alojamento – Dar Touyir. Ficar em Riad faz parte da culturalidade. Os quartos, a comida e o pessoal é espectacular. Explicaram-nos o b-a-ba da cidade, truques e dicas. E um pequeno almoço divinal no terraço.

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  • Comida é cultura; degustação é cultura.  Aproveitem as tajines! São deliciosas (bem como as restantes comidas típicas!)

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  • Pôr-do-sol é na praça El Fna.
  • Negoceiem as viagens dentro de Marrocos. Lá, cada uma delas, ficou em 20€ (uma pechincha tendo em conta as horas de viagem e o retorno visual que obtêm :))
  • Não beber agua da torneira.
  • As compras não valem assim tanto a pena. Ou compram-se coisas em magotes - logo, bem negociadas, ou em porções pequenas não é assim tão espectacular.
  • Sentem-se numa esplanada e bebam um chá de hortelã, só para observar o que vos rodeia.
  • Fui em Maio e realmente foi muito bom em termos de tempo. (Roupas frescas mas não muito destapadas são o ideal)
  • Jardins Majorelle são altamente recomendados. É uma visita cultural no que toca à conjugação de cores.

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  • Não aceitem dicas de orientação no meio dos Souks. Certamente é para vos enganar pedindo dinheiro em troca para vos voltarem a orientar.
  • Levem uma boa máquina. Tudo é extremamente fotográfico. E lindo.

 

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